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FALTA DE ESPAÇO novembro 24, 2007

Posted by JN, Rio de Janeiro in cada uma!.
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mil-malas-by-roger-lynn-via-flickr-cc.jpg

Olha a situação:

Avião da TAM, quase lotado, saindo de Brasília para o Rio de Janeiro, hoje, dia 08/11, às 09h35m. Homem mais velho, de terno azul marinho risca de giz, cabelos grisalhos, bigodão idem, sapato tipo italiano surrado com aquele pompom antiquado balançando sobre gaspia baixa (parte superior do sapato que cobre o pé), meio cafona, com uma pasta/mala de mão e outra mala grande, marrom, de formato e alça tipo mala de médico de filme de terror. Até que a mala era bonita, mas não combinava com o tal senhor. Como ele chegou por último, acompanhado de um amigo, sentou na primeira fileira. Ele na poltrona 1D – corredor e o amigo na 1F – janela. Por sorte não sentou ninguém no meio.

Foi aí que começou a confusão. Ele colocou a malona marrom no banco do meio. A aeromoça bonita e gostosa (difícil de encontrar hoje em dia), que se chamava Jenifer, tinha olhos azuis, e usava aquele uniforme justinho da TAM, que só fica bem em algumas, falou educadamente que aquela mala precisava ser acomodada em um compartimento superior. A aeronave não pode decolar com malas nas primeiras fileiras por questões de segurança.

Todo mundo sabe disso, mas ele insistiu e ela também.

Ele então disse que ela podia levar e guardar lá atrás, mas que quando pousasse ele queria a bagagem na mão dele lá na frente. Que não queria esperar todo mundo descer para pegar a mala. Ela disse que o passageiro é que deve acomodar a sua bagagem, mas chamou um comissário para ajudar. Ele entregou e disse outra vez que queria a mala de volta trazida por alguém. Que não ia buscar lá atrás. O rapaz voltou e disse que estava no bagageiro sobre o assento 17.

Vejam a distância. Está na cara que não vai acabar bem, né?

Um parênteses: realmente esse problema de bagagem de mão é complicado. Ninguém gosta de despachar mala e depois ficar esperando um tempão. Até porque, às vezes, ela desaparece.

Outro problema é que sempre tem uns folgados que vão sentar nos fundos da aeronave, mas colocam as bagagens nos bagageiros da frente para facilitar e se livrar logo do trambolho. São os espertinhos. Aí, quando o dono daquele assento chega, não tem lugar para a sua bagagem, e começa o efeito cascata. Várias malas vão parar lá atrás.

Na hora da chegada, vários passageiros querem passar na contramão para não ter que esperar todo o desembarque.

No meio da viagem, depois do tal senhor passar grande parte do vôo resmungando com o amigo sobre a sua mala, ainda deixou cair no chão tudo que estava dentro da sua pasta. A cena, desculpe, foi hilária e trágica ao mesmo tempo. Ele não conseguia se abaixar com facilidade para catar todas as coisas. A barriga e a idade não deixavam. Até uma escovinha azul de cabelo, daquelas pequenas e finas, em que a pessoa encaixa a mão para segurar e se pentear, foi parar no corredor do avião. Um puta mico. Que escovinha sem vergonha.

Enfim, o avião pousou e começou a taxiar. O amigo, que já não devia agüentar mais tanta reclamação, resolveu se levantar para tentar ir lá atrás buscar a mala do mala. A nossa querida Jenifer, sempre atenta e arrebitada, imediatamente falou que era proibido levantar enquanto a aeronave estava em movimento. Ele voltou rapidamente para o lugar.

Quando parou, antes de desligar a luz de apertar cintos, ele resolveu fazer nova investida e saiu em busca da mala do amigo. Não conseguiu e voltou de mãos vazias, pois vários passageiros também se levantaram e impediram o seu trajeto.

Aí é que o tal senhor ficou transtornado e começou a reclamar: – não pego mais vôo da TAM, agora só vou viajar de Gol ou Varig…porque ela não deixou a minha mala aqui nesse banco…qual o problema…vocês estão perdendo passageiros…(será que ele acha que é por causa da alocação das malas nas aeronaves que existe o caos aéreo) e blá, blá, blá…eu saí tranqüilo e reparei que vários passageiros estavam sorrindo por causa daquela resmungação toda.

Da próxima vez é só chegar mais cedo ou despachar a bagagem, meu senhor, que aí a nossa querida Jenifer não fala nada…se bem que ela foi deliciosamente espetacular na abordagem firme sobre o assunto.

Eu estou com você Jenifer…devia ter posto “o mala” no bagageiro lá do porão.

O problema de espaço nas aeronaves eu comento em outra ocasião. 

Foto acima de Roger Lynn, via Flickr cc

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